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24.11.09




estamos aí, que papo legal

foto de oliver rath

lettuce 7:10 PM
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16.11.09


Vez ou outra eu gosto de comer como porca. Esqueço os talheres e se pá, até as mãos. E fico controlando o prato na boca. Chego a morder pra filtrar. Um bicho curioso esse que me habita e que acha mais saboroso sentir o arroz na mão do que em algo metálico e frio. Esse tato-mão tem ficado cada vez mais sério. Até no calendário maia sou mão também. Talvez aceite o convite de me iniciar no reiki, por enquanto só recebo. Ontem foi macarrão com salmão, disfarcei o quanto pude, e depois comi o restinho com a mão, chupando dedos e palmas.

lettuce 11:20 AM
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12.11.09


fernanda young

Com 16 anos em comprei uma Marie Claire, sim, eu também comprava Capricho, mas a falta de sexo me levava a ler Marie Claire pra achar que minha vida seria interessante dentro de 10 anos. Tinha uma entrevista com uma mulher chamada Fernanda Young. O sobrenome bateu legal, a cara dela era esquisita-bonita e na entrevista soube que seu romance de estrÉEÉia se chamava “Vergonha dos pés”. Pra quem tinha sweet sixteen e um pé 40, 41, aquilo foi perturbador demais e lá fui eu comprar o livro. Foi forte como tinha de ser e eu comecei a ter pra mim, minha escritora favorita. Depois veio o segundo romance, o terceiro romance. Algumas publicações, fotos, eu ia guardando e convencendo alguns amigos a lerem. Todos agradecidos. Depois veio o filme Bossa Nova e os Normais, e eu sempre curiosa, atenta e já devorando o quarto ou quinto romance. Rolou uma roda de leitura no CCBB com ela. Fui, pegay minha senha, sentei lá na frente numa mesa animada onde um homem e uma mulher se paqueravam timidamente, e eu fiz o cupido, dizendo: “ah, vamos trocar nossos emails?”. Sim, fiz aquela linha chata de gente que se despede de uma breve viagem com “não vamos perder contato não, hein”. Tomara que tenham trocado. Ela chegou tímida, de óculos escuros, aos poucos foi falando um pouco mais, era “O efeito urano” em questão. E eu que sempre fui uma louca colocada, minha boa educação sempre me impede de espontaneidades incômodas, fiquei só na absorção daquela figura misteriosa, bonita e engraçada. No final, um sorteio. Fomos avisados por uma mocinha que sorteariam o livro dela com o número da senha da entrada. Corri os olhos no papel e disse baixinho repetidas vezes, como alguém que decora um telefone:
“3872 , 3872, 3872”
Posso estar inventando. Isso foi em 2001 ou 2002. Fernanda Young meteu a mão num saco cheio de números, se aproximou do microfone e disse “3872”. Não consegui esconder a euforia de quem se sente com sorte e gritei: “Bingo!” Ela riu, eu fui até a mesa, trocentas pessoas me odiandozinho, e ela disse: “Quem bom que você ganhou”. Recebi como elogio pois em 2001, 2002, eu me vestia bem bizolamente e no recinto haviam muitas pessoas saídas do trabalho, com aquela roupa estilo uniforme. Eu não lembro qual foi minha escolha do dia, mas sei que ostentava um brinco de girassol e uma calça mezzo xadrez azul, com detalhes laranja. Afff. Mas pense: 2001. A gente jurou que ia voar até outro planeta. Ganhei o livro, que já tinha, mas agora com autógrafo, o único que tive na vida. Anos depois, Lucas mon amour, me surpreendeu com autógrafo da Lady Francisco, que vi outro dia no Jô e está lelé da cuca. Quero ver a peça dela. Passei mal de rir. Tentei ficar perto da Fernanda após a leitura e o prêmio, mas também sou tímida, mesmo que não acreditem. Trocamos emails e aí sim, pude agradecer por ter lido sua obra. Ela respondeu fofamente: “Letícia, que bom que meus livros são lidos por você.” Depois veio o Saia Justa, para meu delírio com a Rita Lee, só que os comentários maldosos aumentaram e começaram a falar mal, muito mal dela. Sempre comentava: “Você já leu algum livro?” Claro que nunca. Gente fácil julga fraco. Veio mais livro, filme, filhas, Caras, música, programa, a porra toda. Continuo lendo, acompanhando, achando curioso o raciocínio que passeia, às vezes discordo e por isso gosto. Posou nua e pessoas de um planeta mofado e peçonhento fizeram comentários beirando a imbecilidade. Meu namorado meu deu a Playboy. Linda. Tesuda. Pentelhos reais. Textura da pele. Bom gosto, bons olhos. Teoria da relatividade. Continuo com a sensação do Bingo, obrigada.
Ah! Gostosa!


lettuce 6:27 PM
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11.11.09





impressionada com tanta beleza numa coisa tão assim.



lettuce 12:24 PM
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9.11.09




lettuce 3:13 PM
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2.11.09


mais diário da viagem


dia 12

euro star. trem para paris na companhia de uma criança fofa, com quem pratiquei a língua. vamos ver que bicho dá. em duas horas, outro idioma, outra atmosfera. paris sorri mais e o calor foi quase igual ao do rio. enquanto esperávamos a chave do apartamento que ficaríamos (ridiculamente bem localizado na pont-neuf, lucas e eu abobalhados), fomos tocar na pont dês arts. queria estar de biquíni. divertido, pessoas gostando. deslumbre de vista. foi bom tocar na rua para ensaiar para à noite. apartamento fofo e pequeno. é paris. fomos para o la goguette após stress numa estação do metrô e 2 euros a mais para o taxista só porque usamos a mala e nem precisava, ele que insistiu, fille de pute. la goguette gracinha, palco, luzes, dono simpático. amigos na área (ainda tem acento?) teve show de um casal fofo antes e depois a gente. acho que consegui ser eu mesma e ter graça em outra língua. ganhamos 55 euros (uh!) e voltamos de táxi. excitação tamanha que nem fomos dormir, demos uma volta no bairro e tudo ainda em movimento. ruas lotadas, bicicletas coletivas e um crepe podrão. eu e lucas e estátuas e madrugada mais bonita do ano. bom realizar sonho de infância.

13 de setembro

bonjour! o tempo fechou um pouco e nós fomos até notre-dame a pé. majestosa, mas de igreja católica já bastam meus 8 anos em colégio de freiras e no mais tenho medo de arte sacra. vale pelo século, escândalo. tamanho e paciência me agradam, mas imagens de jesus sofrendo e mulheres e homens com paninhos ao lado, com rosto de sofrimento já não consigo mais. de tarde fomos a pé na casa da indira que nos levou no pop-in, meio pub, meio inferninho onde todo domingo rola open mic. enchemos a cara, brincamos de perfil de pobre e fomos ver os shows. muito folk, muito indie, meio deprê até. cada pessoa pode tocar duas músicas. tocamos “seresta quentinha”, eu errei meu solinho de escaleta, nunca bebo antes de show, esqueci que ia me “apresentar” e “your love is king”. foi um calor. conhecemos o gabriel, jornalista gaúcho gente boa, perdido por aqui. aliás, são vários. bebemos e voltamos a pé. tão possível.

14

dificuldades em achar um supermercado. só os minis. caros. fomos até a torre. esperava o que espero do cristo redentor: clichê, turistada, coisa e tal. mas é de fato, formidável. não nos deixaram entrar com uma garrafa de vinho, matamos antes no jardim e subimos de dentes roxos. não até o topo (caro e filas). foi mesmo uma conquista humana. cheiro ancestral. árabes amulantes. oscilo entre ficar estatelada e triste (sei o que me espera no rio: zero cidadania, volto a ser a síndica chata que não fura fila). de noite fomos ao point-ephemere. dica do gabriel, jornalista de ontem. lugarzinho incrível, do lado do canal san Martin. palco bom, pena que não rolou show, só leitura de peça, em francês! passamos. chuvinha, friozinho, ofertas ilegais ao longo do canal, e o gabriel dizendo: “tenho um amigão que está jantando com o chico buarque agora, talvez eles venham depois”. calor. garçonete estúpida, gente sorrindo. “faltam bidês, sobram cigarros”, disse antonio no meu facebook.

15 de setembro

vimos a torre acesa à noite, depois de uma noite jam session no cithea nova (acho). público só de homens, músicos, ÁVIDOS para tocar. chaaaaaaaato. cantamos também, foi quente. conheci uma amiga do gabriel do vietnã, ela não sabe o que é beatles, curioso. seu marido é francês e a comprou num site, ela não esconde. mulheres francesas andam exigentes. os homens preguiçosos. internet no vietnã tem salvado isso. mas a torre à noite, uh lá lá. luz é um troço tão infantil. apelo imediato de beleza. gigantesca. tocamos violão e ela piscava. foi bem bonito, viu? vi ratos, minha fobia maior. nunca acham que somos brasileiros.



dezesseis

museu george pompidou. um barato. arquitetura que já via nos livros do curso de francês. bacana estar na coisa. sinto falta do tato em museu, mas valeu. minha calça fez sucesso. vídeos pancados, eu e lucas gostamos. quanta informação boa chegando, tenho cara larga de agradecida. soube da natércia, isso me deixa com o rosto quente, é imediato. compras. presentes são bons de dar. penso com carinho nas pessoas. gosto do mundo. sou fácil com manual, devo tentar mais sem. de noite, preguiça de sair e beber, museu cansa muito, perna e cabeça. saudade de botar o corpo pra dançar. vimos filmes da maya deren, gênia. xadrez, sexo, sono. quanto amor.

17

louvre = estupro arqueológico. com todo respeito aos criadores das “obras”, que um dia nem foram. turistada frenética em cima da monalisa. lucas diz: “pra que eu quero ver a imagem que eu mais vi na vida?” rimos e vimos múmias egípcias. cheiro. arrumamos a mala, a casa e partimos de metrô, dessa vez não rolou o trem bala. ônibus mesmo, mais barato, paris arrancou euros demais. 8 horas dentro de um busum mínimo, duas paradas, na saída da frança e na entrada da ingla. chegamos na terra 5 da manhã, nem trem, nem metrô funcionando, ui. esperamos no frio, cruzadinhas, lucas tenta me convencer do nível difícil, mas fico frustrada. chegamos, desmaiamos.





lettuce 4:11 PM
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30.10.09


dez de fevereiro desse ano, vai tempo:


física I

a existência está em deslizamento incessante.
minha garantia de diálogos com a natureza é que a ciência não produz verdades maiúsculas. ufa!

física II

uma oscilação não sai do lugar. beleza. besouros não podem voar. beleza. besouros voam, porque nadam. beleza?

física III

a natureza é estranha não por ser desconhecida,
justamente por ser conhecida, é que sua estranheza se revela.
tipo alguns conhecidos.

física auto ajuda: controlando condições iniciais, posso prever conseqüências. trema caiu?

física IV

não é tudo que evolui, mas sim TODO. todo evolui.
nós somos notáveis, embora insignificantes.

nada mais ativo do que o vazio. física auto ajuda. beijo.

física V

“para saber que estava ali, eu tirei dali”

físca VI

dentro de nós, reina a estranheza. as coisas não são feitas de coisas. o todo é simples. e plexo é dobra. em latim. aquele velho safado. com dobras é complexo.

física VII

o planeta é esgotado. o problema agora é durar. durar. durar. durar. durar.

lettuce 11:35 AM
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27.10.09


7 de setembro

não dormi no avião. verdadeira insuportabilidade dos gigantes fadados à classe econômica. momento de delírio foi ficar vendo nuvens, oceano e estrelas e acreditar que uma estrela era um avião “nossa, vai passar aqui do lado, vou dar tchau”. na volta, valium. nunca tomei, mas assim não dá. acho que era marte, porque não só brilhava, como rolavam nebulosas em sua volta. também vi o sol nascer. violento. quase acordei o caslu. mas deu pena do baby.

8 de setembro

meu irmão nos pegou no aeroporto. os carrinhos que levam as malas ficam organizados, que vergonha. meu irmão e a mulher moram longe do centro, bexley. bosques, bosques e hortas para alugar. vez ou outra acho que vejo uma criança dirigindo ou um carro fantasma. meu sobrinho sorriu pra mim e veio no colinho, reconheceu. hoje foi o dia mais quente do ano. minha cara isso, vir pra Londres esperando fog e derreter ao invés. tocamos violão no quintal, meu irmão cozinhou alguma coisa boa. dormimos numa cama de ar. ainda não caiu a ficha.

9 do 9 de 2009

disse ciao para o sobrinho e meu irmão nos levou para o casa onde vamos ficar em hornsey, mais perto do centro. a cidade inteira parece estar em obras. casa gracinha, vejo logo hugh grant e julia roberts. acho que vou ser feliz nesse mês aqui. meu irmão foi explicar o metrô, fomos para oxford street. babylon burns. outra parada. presente da história. mulheres muito maquiadas, mas a maioria com roupas curiosas. achei meias calças coloridas tamanho 40, 41, 42, me senti agradecida. me reconheci. comemos vegan food no restaurante onde meu irmão trabalhou (ninguém era inglês). fomos no guanabara para ver onde vamos tocar. clima divertido. cerveja cara, não vou poder converter, se não a cabeça vai atrapalhar a viagem. voltamos pra casa, lucas cozinhou frango. só sei fazer arroz. nosso roomate gente boa, humorzinho inglês do timming, i like it. o dono da casa ainda não chegou. estamos numa suíte.

september. 10th (não sei se é assim)

dia divertido. metrô sozinhos. uau. medo e delírio. e claustrofobia também, troço pequeno. todos muito solícitos, dando merda, vai ser OK. fui num brechó insano: blackout. vestidos divididos por décadas nas araras. morri numa grana já. o apreço pela beleza é constante aqui. o rio de janeiro por ser muito bonito itself acaba esquecendo. encontramos joão brasil e silvinha, vão morar aqui 2 anos. o prédio deles parecia uma galeria de arte. passeamos no fim da tarde até um parque cheio de corvos. fizemos pic-nic de vinho. MUITO barato e bom. casinha de volta. metrô + trem (duas estações só, mas rola). acho que fiz uma música. envolve loteria.


11 de setembro (uhh)

não anotei o que fiz. tem uma poesia no caderno:

dá pra parar por um tempo
adiar os filhos com teu nariz
esperar outra casa, outro hall
dar uma volta cabe muito
tão certo voltar aqui
rezo, prenda, roubo
promessa, cheque, cartão
dá pra acertar por um tempo
dá pra torcer por um tempo bom


lettuce 2:24 AM
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25.10.09




lettuce 4:56 PM
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21.10.09


o arbusto que virou repolho
(esse post é pra você, minha stalker favorita)




Em 2007, tive a honra de ser bakcing vocal do meu amigo querido João Brasil. João é um amor de ser humano, me ensinou sem querer, sobre espontaneidade na hora de compor. Tornou explícito o que eu ainda escondia, tola, com vergonha: o corpo do artista deve ir à rua. Com tapa ou com beijo, é pra mostrar. Tardes, manhãs e madrugadas no querido estúdio Lontra, delirando, ensaiando, estar perto dele era aprender alguma coisa. Piada, sustenido, rima, causo. Em agosto de 2007, Maria Flor, amiga do João, uma fofa e excelente atriz, nos chamou para se apresentar no quadro “Pistolão”, onde um artista da globo chamava um artista (músico, ator, mágico etc) em início de carreira. Era sábado, éramos felizes, SABÍAMOS, e sendo João um autor singular, Pcatran e eu nos vestimos de serviçais para ali prestarmos honras ao nosso chefe. Eu me vesti de empregada, Pcatran de cozinheiro. João, com seu roupão de oncinha que marcou uma época. O Rio, sempre carente do novo, sente saudades.
Existe uma mulher, vamos chamá-la de “rainha da poesia mofada”, que alega que minha vida é um big brother (e ela é a minha assinante mais pontual, rá) e que teve vergonha (afinal leva vida acadêmica com afinco = não faz sexo, não sabe se divertir) de me ver vestida de empregada no domingão, na tv.
Fomos tão desobedientes, que óbvio, perdemos, ficamos em 3° lugar, o público não entendeu, e esse tipo de público (sou uma arista, sei diferenciar público) precisa entender. Voltamos de avião, felizes, por termos causado estranhamento – nosso desejo inicial. A rainha da poesia mofada comenta que minha vida é muito expositiva, ela deve dizer isso pois ela própria não tem vida. Imagino a Mofo (vamos chamá-la, assim? eu curto do facebook) histérica (sim) em sua casa, sem nada para fazer, entupindo a cabeça com narrativas de outros, já mortos, outros vivos, mas incapaz, INCAPAZ de adentrar o mundo subjetivo, árduo, lúdico, presente e vivo da arte. Como seu próprio apelido diz, a Mofo é um repolho estragado que jurava ser arbusto. Jurava. Ao perceber a podridão própria (ela é burra, mas ainda não é cega), ao invés de ter coragem de seguir caminho inédito em sua vida, por isso tão tesudo e cheio de possibilidades, não. A mofo prefere ficar por perto, tal qual fantasma, bisbilhotando, deixando rastros que víboras deixam. Não sei como se dedica tanto a mim. Isso é amor, talvez. E acho que a amo na fraqueza, pois ganho força ao sentir o bolor que vem de sua poesia. A Mofo vive no passado, se choca em pensar que ex-amigos e amores não cumprem frases proclamadas há 5 anos. Choca-se, atrasada, enquanto cometas já rasgam o céu de quem espera por eles. Sei que sou curiosa e que tenho o poder de estabelecer laço comprido se lanço isca boa aos ávidos por força. Eu sou uma pessoa muito, MUITO corajosa. A Mofo já quis me conhecer, já disse que eu era mais alta, mais bonita, mais gostosa e mais não sei o quê do que ela. Me louvou. Depois deu pra trás, pois percebeu que o terreno, antes movediço, já nem existia. Submersa, arriscou o ódio, pois a mofo não consegue, não consegue fenixar sua vida – meu desejo primário, pois fui bem educada e gente lazarenta, triste, com merda presa na barriga e na cachola, eu passo longe. Desejo a Mofo que ponha a inveja no varal, que passe batom na cara,no espelho, que brinque de achar pintas novas no corpo. Agradeço com todas as fibras do meu corpo a passagem do João na minha vida, meu broto de artista ganhou corpo ali.
Mofo, vem me ver num palco, a perseguição internética não chega nem aos pés dos meus quase 2 metros, da minha voz grave, dos meus ombros acordados, da minha sobrancelha sagaz, ao vivo. Vem morder a língua. Se optar por não, vai. Mas vai mesmo. Saber morrer é também uma dádiva, se você não se mantém viva, aprenda essa outra arte.

"Dizem que é a última canção, mas eles não nos conhecem, só será a última canção se deixarmos que seja."
Dançando no Escuro - Lars Von Trier


lettuce 5:37 PM
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